agosto 17, 2017

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Livro com vocabulário do iorubá no candomblé será lançado nesta sexta-feira (2)

Livro com vocabulário do iorubá no candomblé será lançado nesta sexta-feira (2)

Você sabe o que significa ‘omi’, no iorubá? Com um dicionário da língua, pode descobrir facilmente que significa água. Mas, no dia a dia do candomblé, a palavra tem um significado muito mais profundo. “Quando você entende que, além de água, ‘omi’ significa vida, fecundidade, acalanto… Tem uma dimensão muito maior”, explica o pesquisador e babalorixá Márcio de Jagun.

Foi pensando em mostrar o significado das palavras do iorubá na vivência da religião que Márcio de Jagun decidiu começar a pesquisa que levou ao livro Yorùbá – Vocabulário Temático do Candomblé, que será lançado nesta sexta-feira (2), em um evento a partir das 16h30, no Museu Afro-Brasileiro (Mafro) da Universidade Federal da Bahia, no Pelourinho. O lançamento faz parte da programação de aniversário de 35 anos do Mafro. 

“O mais interessante é poder registrar o conceito filosófico que está na tradução dessas palavras. É a mesma coisa com ‘ori’, que é cabela, mas, num conteúdo filosófico, é uma divindade pessoal, o orixá que dirige o homem ao seu destino”, diz o pesquisador e babalorixá. Ao todo, são mais de 10 mil verbetes distribuídos em quase 1,5 mil páginas e 50 capítulos temáticos, como saudações, elementos da natureza e animais. 

O Vocabulário é fruto da parceria entre a Universidade Estadual do Rio de Janeiro – onde Márcio é professor de extensão –, o Instituto Orí e a Editora Litteris. A pesquisa durou três anos. Em abril, o livro foi lançado no Rio de Janeiro (RJ) e, em agosto, acontece o evento em São Paulo (SP). 

“Salvador é uma terra especial para o candomblé. As matrizes estão localizadas aqui, Salvador tem tudo a ver com um trabalho com esse propósito”. Segundo o babalorixá, vocabulário é mais do que um dicionário. “É a questão da memória que foi preservada, do uso litúrgico, do significado do iorubá religioso”, afirma Márcio de Jagun, que é advogado e babalorixá do terreiro Ilé Àṣẹ Àiyé Ọbalúwáiyé, que fica no Rio de Janeiro, mas é descendente da Casa de Oxumarê. 

De acordo com a coordenadora do Mafro, Graça Teixeira, que é professora do Departamento de Museologia da Ufba, o vocabulário tem tudo a ver com a própria história do museu. “Boa parte do acervo africano é da África iorubana. Aqui na Bahia, apesar de ter outros grupos, a maior representação no museu é da cultura iorubana”. 

Para ela, o Mafro, com seus 35 anos, têm o papel de trazer discussões à sociedade. “O museu é um espaço de poder e conflito, de discussão, reflexão. Não é só o espaço para deleite. A gente trabalha aqui na perspectiva da museologia social, numa perspectiva inclusiva de tentar fazer com que os sujeitos sejam visibilizados. Somos o único museu com essa perspectiva e essa missão na Bahia”.

O livro custa R$ 190,00 e estará disponível para venda na sede do Mafro, no Pelourinho, e na livraria Catuca. 

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